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Sunday, December 4, 2016

Constelação Familiar na Arte de Partejar



Por Leonardo de Paiva
No sábado dia 26 /11/2016, no Museu de Homem do Nordeste, no bairro de Casa Forte, na zona norte do Recife foi inaugurada uma exposição que versa sobre o universo que envolve os tradicionais saberes e práticas sobre as parteiras e a arte do partejar. Na oportunidade de visita à referida exposição, as antropólogas Vânia Fialho, professora do Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFPE e professora da UPE , Elaine Muller, do Departamento de Antropologia e Museologia da UFPE, Robbie Davis Floyd, pesquisadora norte americana, além das enfermeiras e pesquisadoras sobre parto humanizado, Camilla Jordão e Andreza  Graciete mantiveram uma conversa informal com duas parteira que lhes contaram algumas de suas experiências que envolvem , com certeza, as “ordens do amor”, da Constelação Sistêmica, sistematizadas e compartilhas por Bert Hellinger.








 As duas parteiras, uma delas certamente com mais de 40 anos de experiência nesta arte de partejar, trouxeram, de forma muito simples, histórias que envolviam dificuldades nos partos e que só eram superadas depois de todas as pendências e conflitos emocionais das famílias do pai e da mãe serem resolvidos. Isto chamou muita atenção de Vânia Fialho que é uma das consultoras da UNATE – Universidade Aberta do Terapeuta e que atualmente tem experienciado, de forma mais curiosa e atenta, os fenômenos da Constelação Familiar.




Relato das parteiras, D. Prazeres e D. Edileuza: 


“ Minhas filhas, o parto é uma coisa inexplicável e cada um é um caso. A gente tem de entender muito de coisa que não estão escritas em canto nenhum e que vem na nossa cabeça só na hora do sufoco”


Então, a D. Prazeres contou um caso onde a criança não queria nascer, já se passara dois dias e nada do menino querer nascer. Foi quando a mãe começou a falar das desavenças e brigas que estavam acontecendo na família dela e do pai do menino. Neste momento, a Prazeres disse para a parturiente “ Minha filha agora, sim, esse menino vai nascer”. Então, as próprias parteiras reuniram, primeiro separadamente, as partes em conflito e falaram da necessidade das coisas serem resolvidas para o menino poder nascer com saúde.

Segundo a D. Prazeres, foi um dia inteiro de “lavagem de roupa” e, logo depois que todo mundo havia se acertado, o menino nasceu. Situações como essas são muito comuns de ocorrer nos partos que estão sendo mais difíceis, segundo elas, enquanto o menino não se sente seguro e em um ambiente de harmonia, reluta em nascer “e quando nasce com a intervenção do Doutor, sem resolver as pendências da família, depois o menino fica doente”.


Segundo Bert Hellinger, no Sistema Familiar, os membros são únicos e todos têm o direito de pertencimento. Isso equivale a dizer que ninguém pode ser excluído, não importando suas características, dificuldades ou virtudes pessoais. Todos são importantes para o Sistema. 

Quando ocorre uma exclusão no sistema familiar acontece um desequilíbrio. Essa situação passa a ser vivida por um descendente, sem que necessariamente ele tenha conhecimento ou afinidade com o antepassado excluído.

Outra reflexão de Bert Hellinger é nos casos de separação conjugal, as pessoas envolvidas têm todo o direito de sair de um relacionamento, mas o mais importante é como elas fazem isso. Se numa separação uma pessoa simplesmente descarta ou excluí a outra, mostrando desrespeito, isso pode provocar desequilíbrios, manifestando-se através de dificuldades num próximo relacionamento afetivo da pessoa que excluiu ou através do comportamento ou sintoma físico de um filho do segundo casamento dessa pessoa.

Bert Hellinger associou à abordagem sistêmico-fenomenológica da psicoterapia com a utilização de campos morfogenéticos, descritos por Rupert Sheldrake (memória coletiva a qual recorre cada membro de um sistema ou grupo e para a qual cada um deles contribui), criando então o método chamado de Constelação Familiar Sistêmica.
Hellinger, após suas experiências com tribos de Zulus, na África do Sul, identificou três princípios básicos que regem os sistemas ou grupos e que, quando não respeitados, causam um desequilíbrio que poderá afetar membros de várias gerações


Na sabedoria intuitiva e natural dessas parteiras pode ser observado exatamente estes três princípios e conceitos que alicerçam a Constelação Familiar:

A primeira lei se refere à pertinência: Todos têm o igual direito de pertencer;
A segunda lei se refere ao equilíbrio entre dar e receber;
A terceira lei diz que há uma hierarquia de tempo: os mais antigos vêm primeiro e os mais novos vêm depois.

Bert Hellinger as descobriu através da observação de trabalhos terapêuticos práticos que ele desenvolveu ao longo de anos. Esse processo se desdobrou e sua percepção  foi se aprofundando sobre o funcionamento de famílias, casais, nações, empresas e sistemas.

Todo grupo funciona como um organismo vivo que se autorregula para permitir que sobreviva ao longo do tempo.


Sete questões que podem facilitar a identificação de desarmonias que envolva a Lei do Pertencimento da Constelação Sistêmica:

1. Alguém em sua família foi excluído ou não incluído, independentemente do motivo?

2. Há alguns sintomas comportamentais em você ou em alguém da sua família tais como: déficit de atenção, depressão, síndrome do pânico, angústia de separação ou alguma doença física degenerativa?

3. Você percebe em você ou em alguém de sua família, uma sensação de que falta alguém?

4. Você constantemente começa algo e desiste, tem muitas dúvidas sobre o que fazer e dificuldade em escolher um caminho a seguir?

5. Percebe uma sensação de não conseguir se realizar em nada na vida?

6. Seus pais ou avós tiveram filhos abortados?

7. Você ou algum de seus antepassados prejudicou ou foi prejudicado, excluiu ou deixou de reconhecer com justiça alguém em seu ambiente de trabalho ou numa sociedade?



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